A África não está à venda (#AfricaNot4Sale)

Jovens líderes africanos lançam campanha sobre prestação de contas das empresas e direito ao desenvolvimento.

Children in school© Kadir van Lohuizen/NOOR

Os dirigentes políticos africanos e as grandes empresas devem parar de vender o futuro da juventude do continente e começar a promover modelos de crescimento alternativos baseados no empoderamento da juventude, o desenvolvimento humano e os direitos humanos, afirmou na sexta (10) a Anistia Internacional e a Iniciativa Sociedade Aberta para África Austral na apresentação da nova campanha #AfricaNot4Sale (África não está à venda) em Johanesburgo.

A mesa redonda critica a narrativa “Africa Rising” (África se levanta) de um futuro exclusivamente baseado no crescimento econômico, sugerindo modelos alternativos, e reúne 20 notáveis jovens defensores dos direitos humanos de todo o continente africano na Bolsa de Valores de Johanesburgo como parte de um diálogo em forma de mesa redonda sobre prestação de contas das empresas na vida social e econômica da juventude da África.

“A juventude da África está à margem, há muito tempo, das iniciativas e dos debates relacionados com o desenvolvimento de seu próprio continente. Foram meros observadores enquanto as empresas multinacionais dividiam e compartilhavam o saque da África com a aprovação de seus governos, e se sentiram excessivamente impotentes e, em muitos casos, muito desinteressados para intervir. Os jovens, despossuídos e desapoderados dizem #AfricaNot4Sale [África não está à venda]”, afirmou Simphiwe Dana, premiada cantora sul-africana e passional ativista por justiça social e econômica, que é embaixadora da #AfricaNot4Sale.

Os participantes da mesa redonda têm diversas origens e procedem de diferentes setores que abrangem todas as sub-regiões do continente africano. Vêm do Quênia, Maurício, Senegal, Gana, Nigéria, Egito e outros lugares, representando bases consolidadas de jovens em seus respectivos países, e se destacam por sua atividade em questões de direitos humanos. Os participantes têm entre 20 e 30 anos de idade.

Esta reunião, impulsionada por jovens, tem como objetivo desconstruir a narrativa “Africa Rising” usando a perspectiva dos direitos humanos para trazer à luz as contradições do crescimento econômico em relação com o desemprego jovem, o avanço da pobreza jovem e o aumento das desigualdades entre jovens.

“Apesar da euforia que rodeava as projeções de crescimento da África nos últimos anos, as desigualdades – alimentadas pelas elevadas taxas de desemprego e a pobreza profundamente arraigada – continuam prejudicando o bem estar social e econômico da juventude em toda a região. Esta situação é inaceitável e tem repercussões de grande alcance para os direitos humanos e as liberdades fundamentais”, afirmou Edward Ndopu, coordenador regional de Ativismo e Juventude para a África da Anistia Internacional.

A África é a região do mundo com maior população jovem. Segundo a Comissão Econômica para a África das Nações Unidas, a média de idade na região é de 19,7 anos. Este dado contrasta claramente com a média mundial, que é de 30,4 anos. Apesar de constituir uma proporção tão ampla da população da África, as pessoas jovens continuam, em grande medida, excluídas e desfavorecidas em relação aos direitos sociais e econômicos.

“Africa Rising” e outros modelos de desenvolvimento econômico tendem a ignorar a precariedade da situação de muitas pessoas jovens em toda a região. Por exemplo, segundo a African Economic Outlook, em média, mais de 70% da juventude da África vive com menos de 2 dólares estadunidenses por dia, quantidade que constitui o umbral da pobreza internacionalmente definido. Ao mesmo tempo, a África supostamente conta com 7 das 10 economias que registraram o mais rápido crescimento do mundo.

“Há um claro desencontro com ‘Africa Rising’, que – francamente – se converteu em uma narrativa certamente desgastada e divorciada da realidade socioeconômica in loco. Isto, obviamente, esboça a questão: para quem a África está se levantando? A resposta, acreditamos, deve nos levar invariavelmente a um diálogo profundamente crítico e matizado sobre o papel dos protagonistas estatais e não estatais na perpetuação do status quo”, afirmou Edward Ndopu.

#AfricaNot4Sale

Informação complementar

O objetivo principal da Mesa Redonda da Juventude da África, que ocorre na Bolsa de Valores de Johanesburgo na sexta (10) e Academia de Dirigentes Africanos no sábado (11) foi gerar cinco recomendações que serão levadas ao Fórum Econômico Mundial sobre a África em junho de 2015 como parte da campanha #AfricaNot4Sale de âmbito continental em prol da prestação de contas das empresas na vida social e econômica da juventude da África.

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